A nuvem brasileira começa o ano de 2026 sob a influência de movimentos que ultrapassam a própria tecnologia. Decisões de fabricantes, consolidação de padrões como o S3, mudanças regulatórias ligadas ao Redata e acordos comerciais que afetam a importação de hardware passam a influenciar diretamente a forma como os provedores organizam seus ambientes e planejam seus próximos passos. Neste momento, o destaque não está na oferta de cloud, mas no cenário que passa a orientar escolhas dentro dos data centers. É isso que ajuda a entender o setor de cloud em 2026.
Ao longo deste artigo, vamos explorar como esses movimentos se materializam na prática. Vamos observar o suporte à IA com GPU passthrough e a consolidação do Object Storage compatível com S3 como padrão entre ambientes. Em seguida, vamos analisar as migrações de VMware para KVM após as decisões da Broadcom. Também vamos abordar a atenção ao Redata na regulamentação da reforma tributária e os possíveis efeitos do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre a chegada de hardware ao país.
IA e GPU Passthrough deixam de ser diferencial e viram requisito
A popularização da IA generativa elevou de forma concreta a exigência por processamento gráfico local. Aplicações sensíveis à latência passam a demandar processamento gráfico mais próximo do ambiente onde os dados estão. Ao mesmo tempo, empresas buscam ambientes dedicados para treinar e executar modelos com previsibilidade de desempenho e controle operacional.
Por isso, provedores brasileiros passam a incluir GPU passthrough em ambientes baseados em KVM, OpenStack e Apache CloudStack. Consequentemente, data centers adaptam racks, energia e refrigeração para suportar placas de alto consumo, enquanto as equipes técnicas incorporam instâncias com GPU dedicada ao portfólio. Dessa forma, a GPU deixa de ser um diferencial e passa a integrar a oferta essencial. Quem não considerar esse movimento na sua estratégia em 2026 tende a perder workloads de maior valor.
S3 como padrão de armazenamento no setor de cloud em 2026
O mercado consolida o S3 como padrão amplamente adotado para Object Storage. A Amazon Web Services criou a API S3 e grande parte do ecossistema passou a adotar esse padrão. Hoje, soluções como Ceph implementam compatibilidade nativa, enquanto muitas aplicações modernas já operam diretamente com S3. Além disso, backups, arquivamento, mídia e dados de IA utilizam Object Storage como formato amplamente utilizado.
Dessa forma, provedores que oferecem Object Storage compatível com S3 simplificam integrações e atraem workloads modernos. Ao mesmo tempo, equipes técnicas reduzem fricção operacional porque utilizam ferramentas amplamente documentadas. Portanto, o S3 passa a ser considerado requisito básico para atuar em 2026.
O fator Broadcom acelera migrações VMware para KVM
Decisões corporativas globais passaram a gerar efeitos perceptíveis no Brasil. Após a aquisição da VMware pela Broadcom, mudanças de portfólio e licenciamento passaram a impactar custos e contratos. Relatos de clientes e análises independentes apontam aumentos de custos e novas exigências comerciais. Por isso, empresas e provedores reavaliam seus ambientes de virtualização.
Nesse contexto, o KVM ganha protagonismo como base estável, aberta e amplamente suportada. Além disso, plataformas como OpenStack e Apache CloudStack facilitam a construção de nuvens completas sobre KVM. Assim, a migração passa a deixar de ser apenas hipótese e começa a se tornar um projeto ativo. Consequentemente, provedores brasileiros encontram uma oportunidade clara para receber workloads que saem do ecossistema VMware em busca de previsibilidade e custo controlado.
Redata e a reforma tributária entram no radar do setor de cloud em 2026
Enquanto a tecnologia evolui, o ambiente regulatório também avança. O Redata, instituído por Medida Provisória do governo federal para incentivar investimentos em data centers por meio de tratamento tributário diferenciado, está em vigor, mas depende de regulamentação para definir sua aplicação prática. Ao mesmo tempo, a implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), previstos na reforma tributária aprovada pelo Congresso, desloca a atenção do setor para a forma como a infraestrutura digital será enquadrada nesse novo modelo.
Por isso, operadores de data center acompanham de perto a regulamentação conduzida pelos órgãos competentes para entender os impactos, créditos e regimes aplicáveis. Dessa maneira, quem se antecipa tende a estruturar investimentos e contratos com mais segurança jurídica. Ao mesmo tempo, associações setoriais como a AbraCloud acompanham o tema para representar os interesses do setor. Portanto, o setor de cloud em 2026 exige não apenas capacidade técnica, mas também leitura regulatória qualificada.
Acordo Mercosul e União Europeia muda o jogo para hardware e cloud
Paralelamente, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia cria expectativas relevantes para a importação de hardware. Informações divulgadas pelo Itamaraty e pela Comissão Europeia apontam para a redução progressiva de tarifas sobre diversos itens industriais. Assim, servidores, GPUs, storages e componentes podem chegar ao Brasil com menor carga tributária ao longo do tempo.
Consequentemente, o CAPEX (Capital Expenditure) dos data centers tende a se tornar mais eficiente, enquanto a competitividade do cloud nacional cresce. Além disso, os provedores podem planejar expansões com custos mais previsíveis. Portanto, o comércio internacional passa a influenciar diretamente a estratégia de infraestrutura para 2026.
Conclusão sobre o setor de cloud em 2026
Por fim, todos esses movimentos mostram que 2026 tende a favorecer quem se posiciona agora, e não apenas quem acompanha tendências. GPU passthrough, S3, KVM, leitura tributária e acordos comerciais já influenciam decisões reais no presente. Assim, provedores que ajustam portfólio, ambientes e planejamento regulatório ganham vantagem.Nesse cenário, a AbraCloud cumpre um papel essencial ao acompanhar, organizar e representar as pautas que moldam a infraestrutura digital do país. Seguimos atentos aos próximos movimentos do setor e disponíveis para dialogar com associados e interessados.
